Eis o tema mais recorrente em grupos de desenvolvimento de informática. E por ser tão recorrente, tem as mais variadas respostas. Fórmulas mágicas, chutes, pela cara do cliente, etc…

Segue, então, meus 2 centavos de contribuição com esse tema.

Qualquer que seja o trabalho a ser desenvolvido: Site, Aplicativo, Sistema para Desktop, Sistema em Rede Interna, Biblioteca de Vínculo Dinâmico, Banco de Dados. Não importa. Calcule quanto custa sua hora de trabalho, quantas horas de trabalho vai levar para desenvolver, calcule os impostos envolvidos, o material necessário, o custo da internet, energia elétrica, computador, mouse, teclado, aluguel de servidor, aluguel de sala. Tudo deve ser inserido nos custos de  desenvolvimento.

Mas como calcular o custo de um notebook em um serviço de desenvolvimento que vai demorar 30 horas?

É aqui que a porca torce o rabo. Mas vamos aos poucos desenrolando essa questão.

Pegue o valor de um notebook com as configurações necessárias para seu trabalho.

Veja quanto tempo de uso você pode ficar com ele até que precise de um outro notebook para substituir.

Exemplo: R$ 5.000,00 por um DELL, I5, SSD 256GB, 8GB de RAM, etc, etc,etc.

Com esse computador, você consegue trabalhar por 3 anos sem problemas. Pronto. Agora, quantas horas você trabalharia em 3 anos?

São 48 semanas de 5 dias (4 semanas seriam de férias) x 3 anos x 6 horas por dia = 4.320 horas de trabalho com esse notebook.

5.000,00 / 4.320 horas = R$ 1,16 por hora de trabalho.

Da mesma forma, calcule os demais materiais usados. Conexão com internet… Tudo.

Como calcular minha hora de trabalho?

Pense quanto você quer ganhar por mês. Exemplo: R$ 8.000,00.

Um mês tem 22 dias úteis com 8 horas por dia. Dessas 8 horas, você consegue ser produtivo por no máximo 6 horas. Então, são 6 horas x 22 = 132 horas de trabalho em um mês.

R$ 8.000,00 / 132 = R$ 60,60 / hora de trabalho.

Elaborar um projeto exige tempo. Pensar em todas as funcionalidades, no tempo que cada uma vai levar para ficar pronta, nos desvios durante o desenvolvimento, nas correções dos erros. Tudo isso toma tempo e esse tempo ainda não pode ser pago porque somente depois que o cliente aprovar o projeto ele vai querer saber de custos. Esse é o risco de trabalhar com desenvolvimento de aplicações. Temos que entrevistar o cliente para extrair o máximo de informações que ele possa fornecer sobre o projeto que ele quer. O tempo dessa entrevista também não vai ser explícito no projeto. Mas ele existe e você precisa receber por isso. Então, ao fazer a entrevista com o possível cliente, some quantas horas foram gastas. Ao elaborar o projeto, guarde quantas horas ele precisou e coloque na proposta a quantidade de horas.Para cada funcionalidade que você ainda vai desenvolver, para cada etapa do desenvolvimento, coloque a quantidade de horas que vai levar para ficar pronto.

Eu trabalho em camadas de desenvolvimento. Então, para cada funcionalidade do projeto eu tenho persistência, negócio, interface, validação, tratamento de erros, design, usabilidade, testes. Para cada uma dessas camadas eu coloco uma coluna na planilha de custos. Para cada funcionalidade eu tenho uma linha. No cruzamento dessas duas informações, eu coloco o tempo em minutos. Ao somar todos os tempos, eu tenho o tempo que o projeto vai levar para ficar pronto. Com o tempo total, eu coloco 3 horas por dia útil e uso a semana com 5 dias. Assim, eu posso dizer ao cliente que o projeto dele vai levar 6 meses para ficar pronto. Especifique sempre tudo que o cliente vai pagar. Mesmo que ele não goste do que está escrito, você está sendo correto com ele e isso conta pontos a seu favor.

Agora, vamos acrescentar seu lucro. Sim, lucro. Você calculou o custo do seu trabalho.

E vá somando todas as despesas. No final, tenha um sub-total. Exemplo: R$ 37.320,00 pelo projeto.

Sim, foi calculado o custo da sua hora de trabalho, mas toda empresa tem que gerar lucro. Então, no total das vendas, é preciso incluir seu lucro. Empresas de engenharia trabalham com BDI entre 25% e 32%. Empresas de informática não têm esse parâmetro. Mas você inclui o lucro da sua empresa em seu trabalho. Eu trabalho com 10%. Para isso, eu divido o valor do projeto por 0,90. Por que esse valor de 0,90? Bom, vamos a uma aulinha de matemática. O valor que você vai receber será 100% do que o cliente irá pagar. Se 10% desse valor é meu lucro, o que sobra será 90% do valor recebido.  Seguindo o caminho inverso, eu tenho que o valor que eu encontrei é 90% do total que precisa ser recebido, então, eu chego aos 100% dividindo o valor encontrado por 0,90.

Nesse momento, meu projeto já chegou a R$ 41.466,67.

Agora, vamos calcular os impostos.

Se você trabalha como empresa, você vai pagar um DAS pelo SIMPLES nacional no valor de 6% do faturamento. Então, os impostos da empresa serão pagos somente com esse DAS apurando tudo que foi emitido de notas fiscais por mês. Assim, você pega (100-6 = 94) e divide o total do seu projeto por 0,94.

41.466,67 / 0,94 = R$ 44.113,48. Seu projeto vai custar isso para o seu cliente. O governo vai levar os 6% ele, você vai receber pelo seu trabalho, os materiais usados serão repostos, sua empresa vai ter seu lucro e seus equipamentos serão depreciados mas terão um fundo de reserva para reposição.

Bom, agora vem a parte de quanto cobrar na entrada, quanto cobrar durante o projeto, quanto cobrar ao final e quanto cobrar pela manutenção.

Tendo um projeto que vai custar R$ 44.113,48 durante 6 meses. Eu posso fazer diversas opções de pagamento. Uma entrada e o restante em 5 meses porque isso encerra a conta exatamente quando o cliente vai receber o projeto. Posso não solicitar a entrada e ariscar meus primeiros 30 dias de serviço. Sim, o cliente pode simplesmente desistir do projeto e você ficar na mão. Ah, você pode processar o cliente, mas, além de não ser bom para ele, isso também cria mais dores de cabeça para você com advogados, cartórios, tribunais… e não é isso que interessa.

Depois, tem o custo de manutenção do serviço. O custo da manutenção fica a cargo do tempo que o cliente a precisar. Eu uso o mesmo parâmetro de horas por mês. Assim, ele pode contratar 4 horas por mês, 8 horas por mês. Quantas horas ele achar que vai precisar. E ele pode alterar essa quantidade à medida da necessidade. Mas você tem que estabelecer uma quantidade mínima.  Esse custo pode não ser contratado pelo cliente. A manutenção vai para quando ele precisar de alguma correção ou implementação de novas funcionalidades. Mas se o serviço for a elaboração de um site, por exemplo, é bom incluir na proposta a hospedagem e a manutenção do site em um servidor de sua confiança. E é bom informar que a colocação do site em um servidor qualquer decidido pelo cliente vai depender das configurações que sua aplicação exija, ou que você não se responsabiliza por tal instalação.